Um número crescente de países está aprovando leis que tornam o acesso rápido à Internet residencial um direito essencial – semelhante aos direitos relativos ao acesso a aquecimento, água e eletricidade. Desde março de 2020, os consumidores do Reino Unido podem exigir que a BT atualize sua conexão de banda larga se não fornecer uma velocidade de download consistente de 10Mbs e velocidade de upload de 1Mbs. Da mesma forma, no início deste ano, o Bundestag alemão aprovou um projeto de lei estipulando requisitos mínimos de velocidade para uploads, downloads e latência, que deve entrar em vigor a partir de meados de 2022.

No entanto, como muitas vezes acontece no mundo das telecomunicações, nem tudo é o que parece. Mesmo com a nova regulamentação, a forma como os governos definem ‘rápido’ varia muito de país para país e, muitas vezes, as velocidades são garantidas apenas para downloads. Muitos jogadores ou fãs de filmes em HD serão os primeiros a dizer que uma velocidade de download de 10Mb não é nada rápida.

Há também a questão da infraestrutura de banda larga datada, que pode ser cara e demorada para atualizar tanto para as empresas de telecomunicações quanto para os consumidores. Por exemplo, acima de um limite de £3.500, a lei britânica permite que a BT repasse o custo de atualização das conexões de banda larga de volta ao usuário final. Isso significa que muitos dos que vivem em áreas remotas ainda não podem arcar com o custo de uma conexão rápida. Na Alemanha, a Unesco levantou preocupações semelhantes, destacando uma “divisão digital” que está surgindo entre alemães que trabalham e desempregados.

O problema com as velocidades de transferência da última milha

Quando as empresas de telecomunicações falam sobre velocidades de banda larga residencial, a métrica que usam com mais frequência é a velocidade de throughput publicada da última milha de uma conexão, ou seja, a velocidade na qual o circuito de um cliente se conecta à borda da rede de seu provedor de internet. Embora esta seja uma referência útil, ela ignora vários fatores-chave. Em primeiro lugar, dado que muitas redes estão sobrecarregadas, as velocidades podem variar muito dependendo de quantos usuários estão competindo por largura de banda.

Em segundo lugar, as velocidades de banda larga são geralmente assimétricas. Como mencionado acima, a maioria dos usuários experimenta velocidades de download significativamente mais rápidas em comparação com as velocidades de upload. Por exemplo, de acordo com a Ofcom, o Reino Unido tem uma velocidade média de download de 80,2Mbs e uma velocidade média de upload de 21,6Mbs. Antes da pandemia, muitas famílias não notaram essa discrepância, pois serviços como streaming de conteúdo dependem principalmente da velocidade de download. No entanto, os aplicativos nos quais confiamos agora, como videoconferência, bem como ferramentas de colaboração no local de trabalho e aprendizado à distância, precisam de tanta capacidade em cada direção.

Muitas empresas de telecomunicações lutaram seriamente com o aumento da demanda por largura de banda causado pela pandemia. E embora a situação já tenha se estabilizado, não podemos descartar um aumento semelhante no futuro. O problema atualmente é que não há capacidade suficiente entre a rede de acesso e as redes de entrega de conteúdo (CDNs), para lidar com o pico de carga de usuários. Mais usuários, mais lenta a rede.

A solução – aumentar a capacidade de banda larga – é mais fácil falar do que fazer. Dado que as operadoras continuam tendo altos custos operacionais, enquanto a receita média por usuário não mostra sinais de aumento significativo tão cedo, é difícil ver de onde viria o financiamento para a nova infraestrutura. Até agora…

Desagregação de rede – o cavaleiro de armadura brilhante da indústria?

A desagregação – a prática de implantar software de rede separadamente do hardware – está emergindo rapidamente como uma solução que pode permitir que as empresas de telecomunicações cumpram a promessa de banda larga rápida a custos mais baixos. As operadoras tradicionalmente construíram suas redes usando sistemas monolíticos que integram software e hardware de um fornecedor. Isso os prende a um investimento com um único fornecedor e os prende em um ciclo vicioso de substituição de hardware lenta e cara.

Por outro lado, a desagregação capacita as empresas de telecomunicações a selecionar e implantar o melhor hardware e software da categoria de forma independente. Os sistemas desagregados podem substituir muitas funções dentro da rede de uma telco, desde roteadores de núcleo e borda até gateways de rede de banda larga.

Essa mudança foi possibilitada pela chegada de chips de rede de alto volume e baixo custo, conhecidos como ‘silicio comercial’. Este silício comercial pode ser usado para construir uma nova categoria de poderosos switches ‘bare-metal’ de baixo custo, que geralmente são construídos nas mesmas linhas de montagem terceirizadas que fabricam sistemas de roteadores tradicionais. Esses switches são uma fração do preço dos switches e roteadores de telecomunicações convencionais, mas são igualmente poderosos. Juntamente com este hardware inovador, também nasceu uma nova geração de software de rede, que pode transformar switches bare-metal em switches IP/MPLS altamente funcionais usados ​​em redes de banda larga.

Em suma, a desagregação da rede pode transformar o setor de telecomunicações da mesma forma que AWS e Azure transformaram a computação. Hardware e software desagregados podem ser implantados usando o provisionamento sem toque em questão de minutos. Uma vez instaladas, as empresas de telecomunicações podem trabalhar em um único equipamento e ambiente operacional, em vez de treinar suas equipes em sistemas e processos de vários fornecedores. Além disso, atualizar a capacidade de qualquer dimensão de um sistema desagregado pode ser feito em minutos, sem jogar fora a infraestrutura existente. Tudo isso oferece às empresas de telecomunicações agilidade, simplicidade e escalabilidade que combinam com a infraestrutura nativa da nuvem.

A verdade?

A verdade é que, dada a demanda atual por redes de banda larga em muitos países, a ideia de um ‘direito’ à internet realmente rápida é mais um conto de fadas do que realidade – especialmente em áreas rurais e remotas. Apesar disso, nos próximos anos, podemos esperar ver mais países aprovarem legislação para forçar as empresas de telecomunicações a fornecer aos cidadãos acesso de banda larga confiável.

Para enfrentar esse desafio, as empresas de telecomunicações devem repensar fundamentalmente sua abordagem para construir e atualizar a infraestrutura de banda larga. Se os sistemas monolíticos atuais são uma abóbora, as redes desagregadas são certamente a carruagem. Felizmente, eles não precisarão de uma varinha mágica para realizar seus desejos! As empresas de telecomunicações de nível 1, como a Deutsche Telekom na Alemanha, já começaram a implantar redes de banda larga desagregadas, portanto, um final feliz está apenas na próxima página.